domingo, 9 de outubro de 2016

A IDEOLOGIZAÇAO DAS RELAÇÕES



Num é que outro dia fiz um desabafo , mais ou menos emocionado, sobre a revolta que estava sentindo pelo fato do Sindicato dos professores do Rio de Janeiro, ter deixado meu neto sem um semestre de aulas e para culminar uma manhã estressada de interrupção da aulas em razão de tiroteio próximo ao colégio. Eram grupos de traficantes medindo forças em plena manhã de sábado.

Para surpresa um meu amigo resolveu me “conscientizar “ sobre o papel dos sindicatos e também das condições de dificuldades por que passam a “categoria” dos professores.

Solidariedade comigo: zero!

Bah tchê durma-se com um barulho destes! Basta-me dizer que Merda, que Bosta, esta coisa de ideologizar as relações entre as pessoas.

Chega! Já estourou o saco.

terça-feira, 25 de novembro de 2014

PERGUNTAS INGENUAS

A propósito da morte de um famoso advogado.

Um criminalista recebe em seu escritório uma pessoa acusada de um crime hediondo motivado por interesses econômicos, do tipo: por exemplo, assassinato dos pais para acesso antecipado a herança. Tornando-se portanto um individuo rico com capacidade de pagar polpudos honorários.

Por óbvio, claro que este mantém o seu inalienável direito a defesa.

Porém, cabe a seguinte pergunta: é legítimo este advogado ser remunerado pelos recursos oriundos do crime em questão?


sábado, 18 de dezembro de 2010

ADEUS SENHOR PRESIDENTO


Com licença de V.Exa. por chamá-lo de presidento, mas é para eu ir me acostumando a usar o termo presidenta que já ouvi anunciado no discurso de diplomação de nossa futura presidente.
Gostaria de desejar-lhe muitas felicidades para este novo período que se inicia em sua vida, o de ex-presidento.
Acho que sentirei muitas saudades de diversos momentos que nos foram proporcionados por seu governo, muitos dos quais jamais ocorridos na história deste país.
Mas advirto que é dura a vida de ex. Não se irrite se os antigos companheiros esquecerem-se de lhe telefonar ou até distraidamente virarem o rosto por não se aperceberem de sua presença em determinados eventos. Não será provavelmente um gesto de ingratidão, pois afinal nada se deve às concessões do poder. Serão simplesmente gestos de pragmatismo político. Tão em voga, não é?!
Mas não se esqueça que em sendo amado por seu povo nunca deverá decepcioná-lo. O povo faz de conta que nada vê, mas não lhe perdoará se sentir traído. O senhor é muito mais que um ex-presidento é o pai de todos nós. E sabemos que merece um justo descanso.
Estou gostando do jeito da nossa presidenta, por vós indicada. A torcida é grande.
Em assim sendo,
“O Rei é morto, viva a Rainha”
E por favor, com todo o respeito, dá um tempo tá?

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

EM BOM PORTUGUÊS

Se o pai do menino Sean, dominasse bem idioma pátrio diria:

PAI BIOLÓGICO É O CACETE!

A nossa mídia acrítica e cheia de mesmices cunhou um sobrenome para o pai do menino Sean e não parou de repetir que o americano é "pai biológico" do garoto. Os jornalistas devem ter achado bonitinho, porque claro estavam tentando ser "totalmente isentos" na apresentação das notícias a respeito da disputa pela guarda da criança.
O que mais realçam os fatos é o desprendimento e o amor dos adultos pelas crianças envolvidas e a enorme capacidade de diálogo por eles demonstrada. E precisava sanção econômica do Senado dos Estados Unidos para nossa justiça afinal se decidir?

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Culto à personalidade

O Culto da Personalidade ou Culto à personalidade é uma estratégia de propaganda política baseada na exaltação das virtudes - reais e/ou supostas - do governante, bem como da divulgação positiva de sua figura. Cultos de personalidade são freqüentemente encontrados em ditaduras, embora também existam em democracias. O termo culto à personalidade foi utilizado pela primeira vez por Nikita Khrushchov no "Discurso secreto" para denunciar Josef Stalin, Khrushchov citou uma carta de Karl Marx, que critica o "culto do indivíduo". Um culto da personalidade é semelhante ao apoteose, exceto que ele é criado especificamente para os líderes políticos.

Fonte: Wikipedia

sexta-feira, 3 de julho de 2009

LÁ VAI A PROCISSÃO

“Aqueles que carregam o andor da Santa são os mesmos que podem fazê-la cair e transformá-la em cacos”

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

REVISTA PIAUÍ

Ao ler algumas referências à Revista Piauí, feitas por vários jornalistas, a respeito da publicação de uma matéria sobre entrevista concedida pelo presidente Lula, tive vontade de lê-la e fui à banca comprá-la.
Qual não foi a minha surpresa em constatar que a tal entrevista não trazia nenhuma novidade a ser mencionada.
Porém, o ensaio assinado por João Moreira Salles publicado no mesmo exemplar ( piauí, 28 - de 03 de janeiro de 2009 ), com o título: “A Grande Ilusão”, a respeito da Islândia, apresenta-se como leitura obrigatória para quem deseja se informar a respeito da atual crise econômica mundial. Trata-se de uma dissertação que vai muito além do país em causa.
Há outros artigos super interessantes sobre: o pré-sal, Darwin, etc...
Mas, o texto sobre a crise econômica em um país (Islândia), cuja população é, possivelmente, menor que a de Copacabana e adjências, faz pensar até onde pode chegar, tanto a loucura dos especuladores do mercado financeiro, quanto o comportamento dos governos.
O mundo mergulha em uma crise na qual a geração da prosperidade do pós-guerra não tem a menor idéia.
Portanto, galera, prepare-se que a giripoca vai piar.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

O PRESIDENTE NEGRO

Neste Natal ganhei de presente da minha filha querida um livro de Monteiro Lobato, talvez tenha sido para retribuir aqueles a que ela foi apresentada quando era criança.
O livro, lançado em 1926 com o título: “O CHOQUE” – “Romance do choque das raças na América no anno de 2228”, foi editado pela Companhia Editora Nacional e ganhou o título de “O PRESIDENTE NEGRO” duas décadas após o seu lançamento.
Com a eleição do senador Barack Obama para presidente dos Estados Unidos da América, a Editora Globo trouxe às livrarias uma nova edição, aproveitando-se do nome da obra, que já vinha com o marketing incluído.
Reencontrei-me com o gênio de Monteiro Lobato que me transportou para os anos vinte, cujo ambiente era de total euforia, de êxtase provocado pelo crescimento econômico americano: a indústria automobilística, a fundação da era dos bens de consumo. A magia do progresso técnico encantava a todos e enfeitiçava a mente dos intelectuais. Era o que se respirava naquele período anterior à crise de 29.
Lobato se mostra um grande ficcionista e com a antecedência de mais de meio século especula, o surgimento da Internet e da mídia online, refere-se com naturalidade a eleição através de meios eletrônicos (rádio transmitidos) e outras visões do futuro. De cair o queixo.
Revela em seu texto o ambiente eugenista que permeava a intelectualidade no início do século passado e se mostra um entusiasta das teses defensoras dos princípios relativos à purificação das raças. Vivia o clima teórico que propiciou a defesa de teses racistas que, em seguida, se transformaram em ideologias que suportaram as diferentes formas de apartheid e o próprio nazismo.
O livro nos faz viajar pela história e nos leva até a ante sala dos horrores vividos pelo mundo na segunda guerra mundial, ao ambiente anterior a crise de 29 e seus desdobramentos ideológicos e políticos.
Vale a pena ler O PRESIDENTE NEGRO de Monteiro Lobato.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

SAPATADA NO BUSH

As imagens divulgadas pela televisão não poderiam ter sido tomadas de lugar mais apropriado. Pareceu-me até terem sido dirigidas por algum cineasta, como Michael Moore, autor dos clássicos: “Tiros em Columbine” de 2002 ou “Fahrenheit 09/11” de 2004. É interessante também observar que em um país ocupado militarmente, elas não tenham sido censuradas. Melhor assim, melhor para a liberdade de informação.
Quem assistiu as cenas da sapatada no Bush não pode deixar de rir. Alguns até lamentaram que apesar da excelente pontaria do suposto jornalista (faltou saber qual o órgão de imprensa que ele representava), o alvo tenha mostrado ótima esquiva, comparável a de bem treinado lutador.
Mas que vergonha para um presidente dos Estados Unidos da América! Que vexame para Tio Sam! Os irmãos do norte da América devem estar envergonhados, roxos de raiva.
Será que um evento insólito como este abre a possibilidade deste elemento (o alvo móvel) ser submetido a uma Corte de Justiça internacional? Afinal os crimes cometidos, ainda que por equivoco por ele confessado, não se enquadram em crimes contra a humanidade?
É suficiente dizer candidamente que estava mal informado, quando o Conselho de Segurança da ONU e seus experts produziram relatórios exaustivos sobre a situação do Iraque? E as manifestações por todo o mundo e no próprio EEUU não o sensibilizaram? Ora! Ora!
Senta no tribunal, e se explica cara, pelo menos uma vez daria uma contribuição decente ao mundo.
Aqueles que acreditam que a civilização possa evoluir teriam um motivo a mais para crer.

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Novo Vestibular


Novo vestibular para Faculdades de Direito. 
Estao abertas as vagas para o curso de advogado de defesa na UPA - Universidade Pragmatica Aberta
Havera um primeiro teste eliminatorio: aquele candidat@ que nao corar de vergonha quando falar uma verdade sera automaticamente eliminad@.
As provas classificatorias versarao sobre as seguintes disciplinas:
ANTI-ETICA
SOFISMATICA
TEATRO (COMEDIA E FARSA)
CINISMO
CORPORATIVISMO
A Aula Magna a ser proferida na abertura do ano letivo sera sobre o tema: "VALE TUDO" em defesa dos interesses da corporacao juridica, dos advogados de defesa e dos clientes. (nesta ordem). Tudo alimentado com muita grana.
A UPA tambem oferece cursos de especializacao nas areas: direito de matar, direito de corrupcao politica, direito de sonegacao, direito de pedofilia e direito de exploracao em areas publicas, ambientais e de uso comum nas cidades. Na medida das necessidades e evolucao do mercado serao oferecidas novas areas de especializacao e pos-graduacao.

terça-feira, 8 de abril de 2008

RIO CHEIO DE DENGUE


A galera está desamparada e apavorada.
As filas com homens, mulheres e crianças se formam nas portas dos hospitais.
Onde estão os profissionais de saúde? Onde se escondem?
A alma política carioca desfila na passarela.
A Rede Globo repete o estribilho: “Não digam que não avisei”.
O governador chegou parecendo que estava completamente por fora, está dando a volta ao mundo preparando-se para 2010…
O prefeito dos factoides desta vez quer mudar o clima da cidade, quer acabar com o verão no Rio de Janeiro.
Pediu pro senhor do Bonfim assoprar os mosquitos para o mar.
Vai pra casa César, chega de sacanagem.
Quem sabe vem aí o PAC da Dengue, já não é sem temporão…
Perguntar não ofende: teve algum caso de dengue nos presídios?
E os sindicatos dos médicos?! Que beleza! Ta se lixando pra turma, quer mesmo é uma tetinha cheia de moedas.
Não há tenda que atenda tanta gente querendo sobreviver a tanta estupidez, preguiça, soberba, vaidade e principalmente ignorância.

domingo, 6 de janeiro de 2008

SÓ NÃO VÊ QUEM NÃO QUER


Magnífica a matéria assinada pela jornalista Daniela Pinheiro na Revista Piauí sob o título: O consultor José Dirceu, leitura obrigatória para quem gosta de acompanhar o modo de ser palaciano e adjacente.
Mas o fato que chamou mais a atenção recentemente foi a eleição do craque de futebol Kaká como o melhor jogador do mundo no ano de 2007. Não propriamente sua escolha, porque óbvia, mas sua atitude em relação aos lideres “religiosos” da igreja que freqüenta. Fica difícil a um pobre mortal compreender como é que um cara como ele não percebe o que está acontecendo e não só oferece dinheiro, como doa o maior troféu de sua carreira para ficar exposto na sede da Igreja.
Aparentemente, parece que a admiração do rapaz por seus líderes está acima de qualquer suspeita, que eles podem fazer o que quiserem que sempre será em nome do bem do povo de Deus e de sua igreja. Alguém diria que este tipo de comportamento assemelha-se a um certo fanatismo ou tipo de alienação que o impede de reconhecer o que de fato está ocorrendo no meio do seu grupo.
Alguns querem fazer do Kaká um exemplo para a nossa juventude. Pera lá moçada, assim também é de mais. O comportamento babaca e xiita do garoto em não perceber nada do que está acontecendo a sua volta e ainda fazer proselitismo de uns valores anacrônicos só serve mesmo para dar emprego e lucro a espertalhões de vários matizes.
Fala mais Zé que vai ser bom pra todo mundo.
Sarava!

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

A CULPA É DO PARDAL


Eles tentam ficar meio dissimulados, pendurados em fios, em viadutos, passarelas de pedestres, em postes, nos lugares mais variados,
são os radares eletrônicos que tiram fotografias dos carros e assim sendo flagram os motoristas cometendo infrações. Há muita polêmica
em torno desses bichinhos; alguns têm verdadeiro ódio deles, acham que é sacanagem da prefeitura, do estado ou da união, colocarem
estes aparelhos para faturar em cima do povo já bastante espoliado por governantes corruptos em conluio com empresários
inescrupulosos. O fato é que há poucas coisas mais eficientes do que os tais pardais para fazer-nos reduzir a velocidade nas estradas ou
mesmo dentro das cidades. A tal fiscalização eletrônica é chatinha mas funciona.
A “culpa” é do pardal.
Neste final de ano, no Rio de Janeiro, ocorreram vários problemas em que pessoas foram baleadas, nas ruas e nas praias (obviamente nada tem a ver com a questão do controle de armamento), algumas morreram, outras ficaram gravemente feridas, entre as quais um médico, filho de outro conhecido médico ortopedista. O Doutor Lídio de Toledo Filho e sua esposa sofreram tentativa de roubo a mão armada no Alto da Boa Vista e foram ambos baleados. Se o médico sobreviver é certo que ficará paralítico. Houve várias versões sobre as circunstâncias do ocorrido e a polícia está investigando o caso.
Porém, a última versão que apareceu nos jornais culpa o pardal pelo assalto, pois o médico resolveu diminuir a velocidade para não ser multado e aí teria sido vítima dos bandidos. Sugere que há uma estranha correlação criminosa entre os pardais e a bandidagem, fez alguns pensarem até, que a culpa em última instância é do César Maia, prefeito da cidade e que a solução, portanto é a de desligar os pardais.
Todos se lembram, não faz muitos anos, que um delegado de polícia todo poderoso liberou geral os sinais de trânsito nas madrugadas, agindo acima da lei, acima de tudo e a galera gostou e passou a obedecê-lo. Se algumas pessoas morreram ou ficaram aleijadas em acidentes nos cruzamentos é uma outra questão a ser pesquisada através das estatísticas.
Será que os assaltantes do doutor têm alguma responsabilidade no caso? É apenas mais uma questão social ou a culpa mesmo é do Pardal Misterioso e de seus ignorantes seguidores?! Ou talvez a responsabilidade seja da vítima o que, diga-se de passagem, não é raro entre nós. Afinal, quem mandou o médico passar por lá naquele momento. Enfim, …
Moral da estória: Em terra de pardal malandro se cria.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Greve de Fome


Quando se fala em greve de fome, vem logo a nossa mente a luta de Mahatma Ghandi pela libertação da Índia do jugo colonial inglês. O apelo à “não violência” que marca o processo de independência daquele país, marca também todas as formas de lutas libertárias posteriores. Esta tática foi adotada por Martin Luther King na defesa dos direitos civis dos negros norte-americanos e por muitos prisioneiros políticos em várias penitenciárias pelo mundo afora.
Algo de estranho aconteceu no Brasil nestas últimas semanas: a breve greve de fome do bispo Dom Cappio contra a transposição do Rio São Francisco.
De início, percebíamos a manifestação do prelado como aquela própria de quem vive no meio do sertão e possui uma forte consciência ligada as dificuldades da população miserável, que pensa além destas grandes obras e que resolveu radicalizar para chamar atenção para uma questão super complexa que é a da seca e da miséria no meio rural nordestino e que obviamente a obra não vai, nem de longe, resolver.
Tenho dúvidas se numa questão como essa cabe uma greve de fome. Afinal o impacto desta transposição é muito menor do que foi a eliminação da cachoeira de sete quedas, que deu origem a usina de Itaipu e mesmo as usinas do rio Madeira que acabaram de ser licitadas. Trata-se evidentemente de mais uma grande obra que agride o meio ambiente, e só.
Mas pelo jeito Dom Lula, que não deixa de certa maneira de ser um pouco uma criatura da CNBB, olhou, pensou bem, avaliou e concluiu que o bispo tava blefando, ou em outras palavras, não iria levar às últimas conseqüências, como Ghandi, a tal greve de fome (jejum?!) e resolveu mostrar-se, independente das injunções de igrejas e credos. Sua maneira de tratar a questão resultou no pior dos mundos, o nosso Grande Líder desdenhou este legítimo instrumento de luta política e junto esnobou uma liderança da sociedade civil local, o bispo Dom Cappio, que tem uma história pessoal respeitável de identidade com a galera do semi-árido.
Sinceramente, achei lamentável. Greve de fome é coisa séria, viu Dom Lula e Dom Cappio?
Neste episódio, quem merece parabéns é a atriz Letícia Sabatella que, com elegância e firmeza, em artigo publicado no O Globo de hoje (21/12/07), desnudou a postura autoritária do presidente e também do candidato Ciro Gomes, ensinando-lhes que um projeto contraditório como este não se resolve na base do grito e da arrogância.
Enfim, novamente, uma ação caríssima feita em nome dos pobres do nordeste.
As empreiteiras se deram bem mais uma vez e “la nave va”.
Saravá!

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Chora Coringão


O estádio de futebol do Grêmio, o Olímpico, em Porto Alegre parecia estar em dia de decisão. Era dois de dezembro de 2007, um domingo à tarde ensolarado, 16:00 h., e o time do Corinthians paulista parecia com medo de entrar em campo. A equipe do Grêmio já o esperava havia bastante tempo. Eles pressentiam o que estava por acontecer o que público todo gritava: Ão, Ão, Âo, Coringão na segunda Divisão.
As cores, azul celestial, preto e branco tomavam por completo todos os espaços e a cadência dos torcedores faziam do espetáculo esportivo um grande evento. Os gremistas experimentavam um um certo prazer sádico e vingativo. Os repórteres e fotógrafos dentro do campo ajudavam a compor um ambiente da emoção que estava por vir.
O torcedor mais importante do Corinthians, o presidente Lula não estava presente, ele até gostaria de estar, mas não podia correr o risco de ser chamado de pé-frio, principalmente um ano depois do Brasil ter perdido a copa do Mundo na Alemanha, durante o seu primeiro mandato. Não podia assistir a tragédia corintiana, era dar muito sopa para o azar.
Os dirigentes do clube tinham vendido o timão pruns mafiosos russos por dinheiro sujo, mas a galera gostava enquanto o time ganhava. Porém, de vez em quando chega a hora da verdade. Agora ajoelha moçada.
Havia atrás de um dos gols uma grande faixa da TV Globo, meio intrigante, era enorme, em fundo preto com letras em branco : O SISTEMA SEMPRE VENCE. Era uma publicidade ingênua de um de seus programas, mas poderia sugerir um jogo de cartas marcadas, um certo mau agouro, um cheiro de marmelada de outros momentos; por acaso a faixa encontrava-se embaixo da torcida do Timão.
Mas o futebol às vezes ensina que o impossível pode acontecer, pelo visto até na Venezuela.
Coringão não desanime porque se não a terceira divisão te pega, não é Flu e Bahia? Pois é.

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

PAESE DI MERDA


Há cenas de filmes que ficam especialmente gravadas em nossa memória. Às vezes é uma simples tomada de imagem, uma frase solta, um trecho de música, um passo de dança, um beijo, enfim uma chave que nos abre uma recordação.
Outro dia aqui no Rio de Janeiro na praia de Ipanema próximo a esquina da Rua Farme de Amoedo, na pista da Av. Vieira Souto, morreu atropelado um jovem italiano que caiu na rua ao tentar defender seu pai de um assalto, daquele tipo corriqueiro, onde se arranca o cordão de ouro do pescoço de uma pessoa. Causa mortis: não aceitar que um cara qualquer tomasse de seu papá, um objeto dele.
Veio-me a mente uma cena de um filme de Mario Monicelli: “Os Companheiros” (I compagni) gravada em uma estação ferroviária, na qual um professor, interpretado por Marcelo Mastroianni, da janela de um trem que acaba de chegar à cidade, pergunta a um operário que lá estava:
– Que lugar é este? ( Che paese è questo? )
Ele revoltado com o fato de ter sido traído por seus companheiros, após o fracasso de uma tentativa de paralisação da fábrica, responde:
– Este um país de merda. ( Questo è um paese di merda )
O pai do rapaz morto atropelado por um ônibus, em estado de choque manifestou a ira justa dos revoltados e lançando seu relógio e sua carteira gritava:
– QUESTO È UM PAESE DI MERDA
E é.
Na mesma semana lemos no jornal que morreram no Rio de Janeiro: um cabo do BOPE ( O mesmo BOPE enaltecido no filme “Tropa de Elite”), um capitão do Exército Brasileiro e mais três homens da PM carioca em circunstâncias variadas.
No Brasil parece que as pessoas morrem como baratas, por motivos banais e na maioria das vezes sem motivo, gente inocente vítima de psicopatas e idiotas.
A coisa tá ficando cada vez mais feia. Sociólogos, Psicólogos, Ideólogos de várias correntes não dão conta de minimamente explicar o que está acontecendo conosco, muito menos em apontar soluções para está trágica situação em que se encontra a sociedade brasileira.